Diário de Aveiro (26 Maio 1993)

" A ANGE está a proceder a obras de ampliação do seu ancoradouro, com a construção de um novo "trapiche" e aumento do já existente. A marina localiza-se junto ao Largo da Mota, do lado sul deste, e foi oficialmente inaugurada no passado ano. Apesar de ser uma estrutura recente, e bastante procurada por desportistas náuticos, não só da Gafanha da Encarnação como mesmo por pessoas de Ílhavo e de Aveiro que aqui guardam as suas embarcações. No presente momento, o ancoradouro está completamente cheio, motivo pelo qual muitos barcos têm de ficar em terra. No entanto, para estes, existe um potente guincho que, em pouco tempo, põe na água as embarcações ou as retira da ria. Para além dos fundos próprios do clube, dinheiros esses conseguidos através das quotas dos associados e do "aluguer" dos espaços do ancoradouro e de terra, a ANGE tem beneficiado de apoios de diversas entidades, nomeadamente da Câmara Municipal de Ílhavo, a qual contribui já com materiais no valor de alguns milhares de contos. No entanto, a obra está orçada em muitas dezenas de milhares de contos, faltando ainda concluir a ampliação agora iniciada, o arranjo do paredão de protecção e a dragagem do canal de entrada-saída. No passado Verão, a ANGE pôs em prática uma "escola" de canoagem e de vela, tendo dado instruções a várias crianças. Igualmente, o clube tem participado em diversas provas e competições de vela, nomeadamente na "Volta a Portugal à Vela". Em terra, e como apoio aos desportistas em matéria de convívio e lazer, está em funcionamento uma sala com bar e jogos de salão. Das inúmeras embarcações fundeadas na marina, o destaque vai para os veleiros, a maioria dos quais construídos nos vizinhos estaleiros de Delmar Conde. Estes são pequenos iates, com cerca de sete metros de comprimento, de concepção inovadora, aptos a navegarem desde águas com menos de meio metro de profundidade até alto mar. Como foi referido, o paredão de terra para protecção dos ventos e das correntes apresenta, no momento, um aspecto "terceiro-mundista", necessitando de obras de conservação e embelezamento. Igualmente, o idêntico paredão a Norte, de abrigo ao pequeno porto de pesca, encontra-se em situação idêntica. Se do lado sul a ANGE tem vindo a desenvolver importantes esforços para construir uma moderna e funcional marina de recreio, a norte da Mota o porto de pesca contínua quase abandonado, sem qualquer "trapiche" de atracagem, nem arranjo dos espaços de apoio em terra. E isto apesar deste pequeno porto servir algumas dezenas de pescadores artesanais da ria, os quais movimentam várias toneladas de pescado por ano, nomeadamente de berbigão. Em 93, a Câmara Municipal de Ílhavo procedeu a obras de arranjo urbanístico do largo da Mota, implementando uma pequena zona verde e disciplinando o tráfego automóvel. Paralelamente, a "Casa da Bruxa" (a típica taberna que é um "ex-libris" das Gafanhas) também foi bastante melhorada interiormente. Apesar disso, esta zona merecia um melhor enquadramento paisagístico e uma maior atenção por parte das entidades responsáveis pela promoção turística, não só devido à existência desta marina de recreio e da magnífica paisagem que daqui se desfruta sobre o casario da Costa nova e das águas da ria, mas também porque deste antigo cais parte a "barca", a última "carreira" regular efectuada por um típico barco da ria ligando a Gafanha da Encarnação à Praia da Costa Nova.