O comércio do porto (21 Novembro 2000)

"A Associação Náutica da Gafanha da Encarnação (ANGE) foi fundada em 1989 e, na altura, não passava de um sonho de algumas pessoas de ver nascer, num terreno à beira ria plantado, um clube de vela. Aos poucos e poucos as obras foram andando e aquilo que não passava de um sonho passou a ser um local com excelentes condições para acolher embarcações e proporcionar aos seus sócios não só a sua actividade de lazer predilecta mas também um local onde a calmaria das águas e a paisagem apelam a descanso obrigatório. António Cirino, hoje presidente da direcção da colectividade, foi um dos homens que deu início a este projecto, considerado por muitos demasiado ambicioso para a região. Ao longo dos anos ficou provado que a ria tem excelentes condições para acolher um porto de abrigo à modalidade e a ANGE é agora um ponto de encontro de muitos amantes do mar, bem como inúmeras crianças que começam a ter os seus primeiros contactos com a arte de bem velejar. "O mais importante para a ANGE é a sua componente cultural e recreativa. A competição fica em segundo plano de prioridades, mas fazemos questão de participar nas regatas que se realizam na ria ou nas provas organizadas pelos nosso vizinhos", apontou António Cirino. O presidente da ANGE confessa que a escola de vela é a menina dos olhos da direcção. "Uma das nossa prioridades e principais preocupações vai para a escola de vela, com a qual proporcionamos a crianças o contacto com uma modalidade que de outra forma seria impossível. A escola de vela está dotada de barcos fornecidos pela ANGE, como optimist, laser, vaurien, quase todas as classes. Oferecemos todas as condições e os alunos usufruem de todos os meios apenas sendo obrigatório o pagamento da quota de sócios". Mas na escola de vela da ANGE não se ensina apenas a arte de bem velejar. Há uma preocupação de acompanhar os alunos e de lhes proporcionar actividades, muitas delas que não teriam possibilidades de concretizar de outra forma. Recentemente, os alunos da escola de vela da ANGE foram visitar a Base Naval do Alfeite, onde puderam ver com os seus próprios olhos o Navio Escola Sagres, a Fragata Vasco da Gama, entre outras e um submarino de guerra. Uma experiência única, que António Cirino espera "ver repetida". "Este foi o arranque de novos horizontes que quisemos proporcionar às crianças que frequentam a escola de vela. A sua satisfação foi enorme, o que nos faz ficar ainda com mais vontade de trabalhar para os levar mais longe e visitar algo que não está acessível à maioria das pessoas, quanto mais às crianças". Actualmente a ANGE têm 350 sócios e dispõe de um património que consiste num armazém e um pavilhão para a escola de vela, servidos por balneários de excelentes condições, um bar/restaurante e uma pequena sede, para além da marina para atracar as embarcações. Um dos sonhos é alargar as infra-estruturas existentes, pois são exíguas. "A nossa sede é pequena, aliás, vou mais longe ao dizer que é muito mais do que pequena. Temos um projecto para 2001 que consiste em mais um pavilhão, de madeira, onde será a sede, com sala de reuniões, e um local de convívio e lazer para os sócios". Este é um grande investimento, aliás como todos os que têm vindo a ser realizados. E, António Cirino deu mesmo o exemplo que "nos últimos três anos investimos 20 mil contos e hoje podemos dizer com orgulho que não devemos nada a ninguém. Todos os elementos da direcção trabalham por carolice e as ajudas são muito poucas. No entanto, temos de realçar que a Câmara Municipal de Ílhavo nos últimos dois anos e meio demonstrou uma sensibilidade nunca vista e se tivéssemos contado com esse tipo de ajuda desde 1989 hoje poderíamos ter estruturas invejáveis". António Cirino referiu ainda, que "está a ser elaborado um estudo de pormenor pela Câmara de Ílhavo para o Largo da Bruxa, como é conhecido o local onde está implantado o clube, que a tornar-se realidade esse projecto podemos dizer que no futuro teremos aqui uma pequena Vilamoura".